Dúvidas
Quando NÃO é indicado fazer bioestimulador
Paula Torido
Enfermeira · COREN-MG nº [PREENCHER: número de inscrição]
Quase todo conteúdo sobre bioestimulador responde “para quem é indicado”. A outra metade da pergunta é tão importante quanto, e costuma faltar. Este texto é sobre ela.
Nada aqui substitui a avaliação — a lista existe para que você já chegue sabendo o que vai ser perguntado, e por quê.
Contraindicações
São situações em que o procedimento não é realizado, ou é adiado até que a condição esteja resolvida.
Infecção ativa na região a ser tratada. Inclui lesão de herpes em atividade, acne inflamada e qualquer processo infeccioso local. Aplicar em pele com infecção ativa é levar o problema para uma camada mais profunda.
Doença autoimune em atividade ou descompensada, ou uso de imunossupressor sem acompanhamento de quem prescreveu. O mecanismo do bioestimulador é uma resposta inflamatória controlada — e “controlada” pressupõe um sistema imune previsível.
Histórico de reação granulomatosa a algum produto injetável aplicado antes. É o motivo de a pergunta sobre reações anteriores ser feita com tanto detalhe.
Gestação e amamentação. Não há estudos que sustentem segurança nesse período, e ausência de estudo não é o mesmo que ausência de risco.
Distúrbio de coagulação ou uso de anticoagulante sem liberação de quem prescreveu.
Quando é adiado
Há casos em que a indicação existe, mas o momento não é agora.
Perda de peso recente ou em curso, inclusive por uso de medicação para emagrecimento. A pele do rosto ainda está se acomodando, e um protocolo definido no meio desse processo mede um ponto de partida que vai mudar. Nesses casos costuma fazer mais sentido esperar a estabilização.
Procedimento recente na mesma região. Cada coisa tem seu tempo de resposta, e sobrepor estímulos sem intervalo torna impossível saber o que produziu o quê.
Evento importante próximo. O resultado é gradual e o pós tem regra. Marcar aplicação três dias antes de um casamento é planejar frustração.
Quando o resultado possível não justifica o processo
Esta é a categoria mais difícil de dizer e a mais honesta de escrever.
Flacidez de grau avançado, com sobra de pele, tem indicação cirúrgica. Bioestimulador nesses casos produz uma mudança pequena demais para justificar meses de processo e o investimento envolvido. Dizer isso na avaliação é parte do trabalho.
Queixa que é de outra natureza. Se o que incomoda é um sulco específico, o assunto é volume localizado. Se são linhas que aparecem só com o movimento, o assunto é contração muscular. Se são manchas, melasma ou textura de superfície, o assunto é outro completamente. O texto sobre o que o bioestimulador não resolve detalha cada caso.
Expectativa incompatível com o mecanismo. Quem procura diferença visível em uma semana não vai encontrá-la aqui, e essa incompatibilidade não se resolve com explicação melhor — se resolve indicando outra coisa, ou nada.
Falta de disponibilidade para o processo. Uma série de aplicações com intervalos definidos e uma reavaliação em seis meses exige agenda. Quem não consegue se comprometer com isso costuma abandonar no meio e concluir que o procedimento não funciona.
Por que isso não é excesso de cuidado
Página que só fala de benefício não está informando — está vendendo. E, na prática de consultório, o “não” é o que sustenta o “sim”: quando a pessoa sabe que existe uma conversa em que a resposta pode ser negativa, a indicação positiva passa a valer alguma coisa.
Se você reconheceu o seu caso em alguma das situações acima, isso é informação útil para levar à consulta. A avaliação facial leva de 50 a 60 minutos e termina em um protocolo escrito — que pode perfeitamente dizer que não é o momento.